O adubo da história

Image credits: Mural do pintor mexicano Diego Rivera (1886-1957), mostrando operários trabalhando na fornalha de um alto-forno siderúrgico. A imagem pode parecer uma cena aleatória do cotidiano industrial, mas não é. Esse afresco bem pode ser interpretado como uma alusão à capacidade transformadora da classe trabalhadora, de revolucionar o todo existente e criar um novo mundo. Arquivo pessoal do autor do Blog.

Olá gente, espero que vocês, suas famílias e amigos estejam bem e seguros diante do recrudescimento da pandemia da covid-19. Gostaria de dizer que fico muito agradecido pelas visitas que tenho recebido, do Brasil e de outros países, como China, Estados Unidos, Inglaterra, França, entre outros. Eu vou ficar devendo a tradução para a língua inglesa dessa postagem, o que vou fazer posteriormente. Graças a publicação bilíngue, meu blog tem chegado a outros países.

Faz algumas semanas que não publico nada por aqui, pois ando extremamente ocupado com as tarefas da universidade aonde trabalho e com a pesquisa do pós-doutorado. Então, pensando em não deixar esse canal sem diálogo com vocês, resolvi trazer o texto que escrevi para o Boletim da International Gramsci Society-Brasil, que saiu em dezembro passado no Boletim 05, Nº03, de dezembro de 2020. Talvez você possa achar que meu texto é pessimista, e até acho que de certa maneira é mesmo. Mas o objetivo é levar uma mensagem de esperança, socialista, a todos a partir da imagem do “adubo da história”. O texto é breve e você vai ler rapidamente. Boa leitura e até mais.


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Meus livros / My books

Olá gente, espero que estejam bem. Fiz um novo menu para o Blog, chamado “Meus livros”, visando facilitar o acesso aos livros e e-books que publiquei, de minha autoria ou escritos em coletividade com outros autores.

Se você estiver acessando o blog de seu computador ou tablet na posição deitada (na horizontal), o menu “Meus livros / My books” aparece do lado esquerdo, junto dos menus “Home” e “Sobre mim / About me” (veja na imagem abaixo).

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E-book “Intelectuais, política e conflitos sociais” – gratuito para baixar / Free e-book: “Intellectuals, politics and social conflicts”

Image credits: Detail of the book cover. Cover art: Aline C. Rudnik Azevedo. Cover picture: durantelallera / Shutterstock.com.


Prezados leitores, hoje trago um lançamento de livro para vocês. É um e-book gratuito, e todos interessados podem baixar gratuitamente em seu dispositivo e ler. Como viram no título, trata-se do livro “Intelectuais, política e conflitos sociais”, organizado por David Maciel, Pedro Leão da Costa Neto e Rodrigo Jurucê Mattos Gonçalves. Em breve, teremos novos lançamentos de livros aqui no blog.

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A questão da ideologia – Parte 2 / The question of ideology – Part 2

Image credits: Karl Marx and Friedrich Engels. Marx-Engels Portraits, on marxists.org.

Olá gente. Hoje vou falar um pouco mais – mas não tudo o que pode ser dito – sobre a ideologia. Há muita confusão sobre o que significa esse conceito. Por um lado, existem inúmeras definições. Muitos pensadores já falaram da ideologia: Georg Lukács, Karl Mannheim, Max Horkheimer, Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Walter Benjamin, Antonio Gramsci, Mikhail Bakhtin, Louis Althusser, Lucién Golmann, Jürgen Habermas, entre outros, e, no Brasil, recomendamos o filósofo Leandro Konder, que fez um grande levantamento das diferentes concepções do conceito de ideologia, no livro “A questão da ideologia”. Eu abordo a questão da ideologia no meu livro “A restauração conservadora da filosofia” – quando estiver pronto vou colocar o link aqui.

Por outro lado, tem havido muita confusão em torno desse conceito. No Brasil, a palavra tem sido usada de forma muitas vezes desqualificatória, ou seja, chama-se de “ideologia” a concepção política do outro, do adversário. O atual presidente brasileiro, venceu as eleições de 2018 dizendo que acabaria com as relações “ideológicas” do Brasil com determinados países, como a China. Mas a palavra ideologia quer dizer bem outra coisa. A forma vulgar como se usa o conceito distorce seu real sentido.

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Primeiro mês de Blog / First month of Blog

Hoje completo um mês de blog. Quero agradecer àqueles que me visitaram, que começaram a me seguir, que curtiram postagens ou que apenas deram uma olhada rolando a página. Quantos visitantes eu tive? Mais do que eu poderia esperar, certamente.

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O passado e o presente das Forças Armadas / The past and present of the Brazilian Armed Forces

General alemão Otto Fretter-Pico se rendendo à Força Expedicionária Brasileira (FEB) em abril de 1945, durante a Segunda Guerra Mundial / German General Otto Freter Pico, Commander of the 148 Infantary Division, and General Mario Carloni surrending to Brazilian Expeditionary Force (FEB) after the battle of Fornovo di Taro. April 1945. Image credits: Wikimedia Commons.


A questão das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) e de suas relações com o governo marcam praticamente toda a República Brasileira, a qual foi proclamada em 1889 como parte de um golpe militar contra a Monarquia de D. Pedro II. O século XX foi marcado por extensa intervenção das Forças Armadas na vida nacional e, quase sempre, no sentido que fortalecer o poder das classes dominantes. O período que mais deixou sequelas foi, sem dúvida, a Ditadura Civil-Militar (1964-1985), marcando a época de maior perseguição política no País, na qual a caserna esteve intimamente ligada. Esse é uma capítulo triste de nossa história que não pode ser esquecido nem apagado. E agora, no governo de Bolsonaro, os militares voltaram a ter um papel de destaque, ocupando ministérios e outros cargos antes ocupados por civis.

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130 anos de Antonio Gramsci / 130 years of Antonio Gramsci

Image credits: MACIEL, David. Gramsci, óleo sobre tela / oil on canvas, 15×15 cm, 2018.


Em 22 de janeiro de 1891 nascia na Sardenha, Itália, Antonio Gramsci, há exatos 130 anos. A importância de Gramsci para o marxismo é fundamental. Os fundadores do marxismo, Karl Marx e Friedrich Engels, não desenvolveram uma teoria geral na área da política, essa tarefa coube a Gramsci, que criou uma teoria marxista da política. Os fundadores de certa forma relutaram em desenvolver uma teoria nessa área, sobretudo porque consideravam que as relações legais e as formas do Estado eram derivadas da vida econômica e não podiam ser entendidas por elas mesmas. Lênin sentiu a necessidade de uma teoria mais sistemática do Estado, e iniciou uma formulação mais pormenorizada no notável “O Estado e a Revolução”, escrito entre agosto e setembro de 1917.

Nesta obra, o revolucionário russo retomava e sistematizava as lições dispersas dos fundadores do marxismo no campo da política. Ademais disso, a obra representa uma ruptura com a tradição reformista e de socialismo institucional da II Internacional. Todavia, com a chegada da revolução poucos meses depois, em outubro daquele ano, a tarefa de concluir a teoria política marxista não pode ser completada por Lênin, o qual era o dirigente máximo da revolução socialista.

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Cultura jurídica brasileira: Ruy Barbosa / Brazilian legal culture: Ruy Barbosa

Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP) / Faculty of Law, University of São Paulo. Image credits: Wikimedia Commons


Atualmente faço uma pesquisa de pós-doutorado sobre intelectuais ligados ao Instituto Brasileiro de Filosofia (IBF) entre 1965 e 1968, e, mais particularmente, as publicações na Revista Brasileira de Filosofia (RBF) de três intelectuais: Miguel Reale, Luís Washington Vita e Antonio Paim. Sobre Reale, eu já publiquei alguns textos. Durante a pesquisa, me deparei com a necessidade de “ler o que os advogados leem”, uma vez que em minha área, a História, não costumamos ler sobre a cultura jurídica. Diante dessa necessidade, encontrei inúmeras leituras, como a obra referência no tema, de Alberto Venâncio Filho, chamada “Das arcadas ao bacharelismo: 150 anos de ensino jurídico no Brasil” (São Paulo: Editora Perspectiva, 1977), na qual o autor aborda a cultura jurídica brasileira.

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Revolução e revolução passiva / Revolution and passive revolution

Vincenzo Cuoco (1770-1823) chamou a Revolução Napolitana de 1799 como “revolução passiva”. Essa “revolução” não contou com as massas populares – ficou centrada nos intelectuais -, ocorreu como consequência da Revolução Francesa e acabou derrotada. O conceito serviu a Antonio Gramsci para explicar os processos históricos de formação nacional que não passaram por uma revolução de tipo jacobino. English: Vincenzo Cuoco (1770-1823) called the 1799 Neapolitan Revolution as a “passive revolution”. This “revolution” did not count on the popular masses – it was centered on intellectuals -, it occurred as a consequence of the French Revolution and ended up defeated. The concept served Antonio Gramsci to explain the historical processes of national formation that did not undergo a jacobin type revolution. Image credits: Wikimedia Commons

A chamada “revolução passiva” é um conceito desenvolvido por Antonio Gramsci para analisar processos históricos de mudança nos quais não se pode dizer que houve uma revolução propriamente dita, ou seja, falamos de revolução passiva quando as mudanças ocorridas não transformam os fundamentos do sistema vigente ou até fortaleceram e reafirmaram seus fundamentos. Eu abordei a revolução passiva de forma em meu livro História Fetichista e em um artigo que você pode acessar.

O conceito de revolução passiva contribui para a interpretação de países que passaram por uma série de mudanças, algumas bastante profundas mas parciais, como o fim da escravidão no Brasil e a chamada “Revolução de 1930”, preservando a maior parte dos interesses das classes dominantes. Os escravizados libertaram-se da escravidão, mas foram alijados de um direito fundamental – o acesso à terra -, pois não tivemos reforma agrária. Outro exemplo é a mudança do eixo econômico brasileiro para o setor industrial, nos anos 1930, após 4 séculos de predominância dos setores agrário e extrativista. Também aqui foram preservados interesses das classes dominantes: a propriedade concentrou-se, o operariado recebia salários baixos, de subsistência, embora a exploração fosse crescente. Nos dois exemplos históricos, o aparelho de Estado conservou-se na mão das classes dominantes e o poder não foi tomado pelas classes dominadas.

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Tempos Conservadores / Conservative Times

Image credits: Gage Skidmore/Wikimedia Commons

Não é difícil de definir a época em que vivemos como “tempos conservadores”. Embora o principal governante conservador, Donald Trump, tenha sido derrotado nas eleições de 2020, não é possível dizer que o conservadorismo de extrema direita esteja derrotado. Comento a seguir.

Primeiramente, o governante eleito, Joe Biden, não deixa de ser um conservador, mais moderado e mais habilidoso do que Trump, mas ainda assim conservador. O ex-presidente não se deu por derrotado, quem sabe pode até voltar a se candidatar nas próximas eleições, afinal de contas, ele fez 74,2 milhões de votos, o que é muito considerável em um total de cerca de 158 milhões.

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